"Parcerias Público-Privadas na Saude -Do Sucesso à Crise-" Pedro Cardoso nº70065
“Parcerias
Público-Privadas na Saúde -do Sucesso à Crise-“
“Public-Private Partnerships in Health -From Success to Crisis- “
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Pedro
José Mota Cardoso
Sumário:
1.
O que são PPPs (Parcerias Público-Privadas) – 2. Vantagens e Problemas
das PPPs – 2.1. História e desenvolvimento das PPPs – 2.2. Vantagens
das PPPs na infraestrutura da saúde – 2.3. Problemas e limitações – 3.
Crise das PPPs no Setor da Saúde – 3.1. Estudo do caso português – 4.
Conclusão
Resumo:
Esta
investigação foca-se nas Parcerias Público-Privadas, uma ferramenta inovadora
para enfrentar limitações financeiras e operacionais do setor público, aliando
os recursos e a eficiência do setor privado à gestão de serviços essenciais. analisando
em específico o setor da saúde, com foco na experiência portuguesa. A
juvenilidade deste modelo de gestão tem levado a várias revisões e análises, já
que o contrato entre estas parcerias, apesar de ser de longo prazo, apresentam
várias renegociações no seu período de vida, questionando então a sua
verdadeira eficácia no mundo prático.
Palavras-chave:
Parcerias
Público-Privadas; Gestão; Financiamento; Inovação; Serviços públicos; Sustentabilidade;
Contratos; SNS.
Abstract: This research focuses on Public-Private Partnerships,
an innovative tool to address financial and operational limitations in the
public sector, combining the resources and efficiency of the private sector
with the management of essential services. specifically analyzing the health
sector, focusing on the Portuguese experience. The youth of this management
model has led to several revisions and analyses, since the contract between
these partnerships, despite being long-term, presents several renegotiations
during its lifespan, thus questioning its true effectiveness in the practical
world.
Keywords: Public-Private Partnerships; Management; Financing;
Innovation; Public services; Sustainability; Contracts; SNS.
1.
Introdução:
1.1
O que são PPPs (Parcerias Público-Privadas):
A
definição de Parceria Público-Privada não é nada senão ambígua, sendo um
fenómeno relativamente recente, com aproximadamente 30 anos. No entanto, a
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico define as PPPs como
“… um acordo entre o Sector Público e uma ou mais entidades privadas, no qual
estas últimas prestam um serviço que corresponde aos requisitos definidos pelo
Governo e que ao mesmo tempo gera lucro para os acionistas”[1],
já o Fundo Monetário Internacional diz “As parcerias público-privadas (PPP)
combinam a mobilização de capital do sector privado e, por vezes, de capital do
sector público para melhorar os serviços públicos ou a gestão dos ativos do
sector público”[2].
Destas
definições podemos retirar uma conceção geral: as PPPs são então um contrato
entre o Governo e uma parte privada, em que esta última assume o compromisso de
financiar, construir, manter e operar serviços públicos, e ainda a
transferência do risco que surge de tais serviços públicos, que,
tradicionalmente, seriam geridos pelo setor público, com o objetivo de melhorar
ditos serviços ao contar com a expertise e recursos do setor privado.
No
contexto da saúde, as PPPs ganham destaque, principalmente, em países onde o
sistema público enfrenta restrições financeiras e crescentes pedidos da
população por infraestrutura de qualidade. Em Portugal, o modelo de PPPs tem
sido utilizado para ampliar a capacidade de investimento e operacionalização no
Serviço Nacional de Saúde (SNS), focando especialmente na construção e gestão
de hospitais, buscando uma colaboração estratégica onde o setor privado ajuda a
aliviar o orçamento público e a melhorar a qualidade do atendimento médico.
2.
Vantagens e Problemas das PPPs
2.1
História e desenvolvimento das PPPs:
A origem das PPPs remonta ao
final do século XX, mais precisamente nos anos 1980 e 1990, quando muitos
países enfrentaram dificuldades para financiar e gerir serviços e
infraestrutura pública como estradas, hospitais, aeroportos e sistemas de
saneamento. Essa escassez de recursos impulsionou a busca por alternativas que
permitissem a execução de grandes projetos sem que o governo assumisse sozinho
todos os riscos financeiros. Os primeiros passos foram dados no Reino Unido com
o modelo de Private Finance Initiative (PFI) lançado em 1992, modelo pioneiro que
viria a inspirar vários países a adotar formatos semelhantes adaptados às suas
realidades, acabando por se tornar num
referencial para a criação de PPPs.
Com o tempo as PPPs evoluíram em
complexidade e passaram a abranger diversas áreas e formatos que equilibram de
maneiras distintas os papéis e as responsabilidades de ambos o setor público e
privado. Essa evolução dividiu-se em etapas importantes como nos anos 1990, em
que a prática das PPPs consolidou-se em países como Austrália, Canadá, Estados
Unidos e França, cada um adaptando o modelo britânico de acordo com as suas
necessidades mas sempre com o objetivo de viabilizar infraestrutura pública com
maior eficiência, os projetos concentraram-se em setores como transportes
(rodovias e aeroportos), e energia nos quais o setor privado assumia o
financiamento e a operação enquanto o setor público focava na regulação e
fiscalização.
Na década de 2000 as PPPs
ganharam força em regiões como a América Latina e a Ásia, sendo adotadas em
países como o Brasil, Índia e China onde os desafios de infraestrutura eram
evidentes, as PPPs foram vistas como uma solução para acelerar o
desenvolvimento, modernizar serviços e ampliar o acesso a recursos financeiros
internacionais. Em 30 de dezembro de 2004, o Brasil sancionou a Lei Nº11.079,
regulamentando as PPPs no país com diretrizes, garantias e condições para a
participação do setor privado em projetos públicos.
A partir do ano 2010, com a acumulação
de experiências internacionais, passaram a contemplar uma gama maior de setores
como a saúde, educação, saneamento e até habitação popular, além disso os
contratos começaram a incluir práticas sustentáveis e critérios ambientais
sociais e de governança, com o intuito de gerar impacto positivo para as
comunidades e para o meio ambiente.
Em Portugal, as PPPs começaram a
ganhar espaço a partir dos anos 2000, com o caso da construção da ponte Vasco
da Gama e da Lusoponte, e ainda na área da saúde, já que o governo buscava
alternativas para a gestão hospitalar no âmbito do SNS. O modelo português de
PPP, influenciado por experiências internacionais, estabeleceu um mecanismo de
provisão e contratação que abrange tanto o financiamento quanto a gestão clínica.
O governo português lançou então, entre 2002 e 2006, um programa para a
construção de novos hospitais, com a previsão de 10 unidades hospitalares, para
responder à demanda de serviços de saúde de qualidade, baseando-se num
contrato de gestão cujo objeto envolve a cadeia de atividades que vai desde a
conceção, construção, financiamento, conservação e exploração dos ativos infraestruturais
até à gestão geral do hospital.
2.2
Vantagens das PPPs na infraestrutura da saúde:
Já
mencionei o objetivo, o principal motivo que levou à criação destes modelos de
gerência e financiamento: o desenvolvimento e evolução da qualidade dos
serviços prestados, mas é uma justificação muito generalizada e é preciso
enunciar as vantagens específicas que advêm destas parcerias.
Podemos
enunciar quatro principais características que revestem o mundo ideal das PPPs:
a eficiência financial e financeira, a qualidade no atendimento e
infraestrutura, a sustentabilidade e inovação, e o alívio no orçamento público.
O primeiro refere-se aos recursos do setor privado, na capacidade de reduzir os
custos de construção e manutenção, enquanto reduz o prazo de entrega,
possibilitando uma multiplicidade de projetos em períodos de tempo reduzidos,
reduzindo também o custo total ao longo da vida do ativo. A natureza destes
contratos, sendo uma das partes o Governo, leva-nos ao segundo ponto, a
qualidade de atendimento e infraestrutura, já que o Governo obriga o setor
privado a atender critérios que incluem metas de qualidade e padrões de
desempenho, aliviando o Estado da preocupação dos riscos nas áreas abrangidas,
já que o Estado obtém o produto final sem ter de diretamente gerir o processo.
Continuando esta ideia deste aliviamento do Estado, deste auxílio, é de
mencionar também a inovação e da adaptação a melhores tecnologias e a melhores
instrumentos para os serviços, há aqui um mútuo benefício que justifica a
presença da entidade privada, já que o aperfeiçoamento dos serviços leva também
ao aumento das receitas que embolsa. Para fechar os benefícios destes contratos
em proveito do Estado, que o atinge diretamente, é o alívio no orçamento
público, já que o investimento inicial é coberto pelo parceiro privado,
permitindo ao governo alocar os recursos que seriam utlizados para outras áreas
prioritárias, motivo de recorrer a uma entidade privada em primeiro lugar.
2.3
Problemas e limitações:
Contudo,
as vantagens proferidas, apesar de se manterem a curto prazo, e de realmente se
poderem identificar em vários exemplos, existem num mundo hipotético em que não
existem fatores externos que influenciam a existência e a continuidade das
PPPs, seria perfeito viver neste mundo de fantasia económica de
sustentabilidade e qualidade, mas que como veremos, não é o caso.
Isto
porque a mesma razão que leva à criação das parcerias, é a mesma que leva ao
seu declínio, a dependência do setor privado na sobrevivência do serviço. É o
mesmo problema que se pode debater quando se fala da descentralização, o risco,
o risco da imprevisibilidade, da possível falta de transparência, da
sustentabilidade financeira, das falhas de gestão, até da possível corrupção,
ou do próprio risco do Estado se tornar tão dependente do setor privado que
limita o seu controlo sobre tal, que desencadeia a possibilidade de perda na
qualidade do serviço, uma vez que um setor privado oportunista pode, e tendo em
conta a sua justificada finalidade em obter receitas, orientar-se em objetivos
economicistas.
Porém
isto são resultados do próprio contrato entre as partes, é ainda mais
realístico falar sobre influências externas que afetam esta relação, levando à
sua fiscalização e à sua renegociação, pode-se mencionar rapidamente como
exemplo a crise financeira de 2008, cujos efeitos se alastraram globalmente, em
efeito dominó, que também afetou Portugal, tão gravemente que requereu auxílio
a entidades externas, a “troika”, crise esta que por acaso coincide com o
excerto de tempo do desenvolvimento do projeto que iremos discutir das PPPs em
Portugal na área da saúde, na construção e renovação de hospitais.
Ora,
a frequência com que ocorrem estas renegociações pode ser o resultado de um
comportamento oportunista, dado o longo prazo destes contratos e o seu fator
imprevisível já mencionado, a estrutura de receita ou de custo ao longo do
tempo exige uma renegociação na tentativa de alcançar a eficiência
originalmente prometida. Temos dois exemplos que mostram a dualidade destas
renegociações, ambas em Portugal. Por um lado, podemos usar o exemplo que
mencionei atrás, da ponte Vasco da Gama, originalmente apresentada como a custo
zero para os contribuintes, porém, entre o ano 1995 e o ano 2000 houve 5
renegociações do contrato, pela 6º renegociação, em 2009, já custava aos
contribuintes cerca de 700 milhões de euros. Por outro lado, nem sempre estas
renegociações levam ao fim ou à deterioração da parceria, podemos falar do caso
da Fertagus, outra PPP instituída em Portugal, onde a renegociação foi usada
para corrigir falhas, beneficiando ambas as partes. Mas o motivo para estas
renegociações não é frágil, nem o pode ser, para evitar a elevada frequência
destas ocorrências: “A renegociação ou reequilíbrio financeiro ocorre quando
eventos alteram as condições financeiras, e sobretudo, a remuneração dos
acionistas privados. Para a participação do sector privado numa PPP poder ter
sucesso e alcançar os objetivos de ambas as partes, é necessário que os
contratos e os regulamentos estejam bem desenhados e sejam corretamente
implementados”[3],
sendo o contrato na parceria um contrato incompleto[4],
é necessário definir as regras que vão reger a parceria a longo prazo,
incluindo mecanismos de renegociação e previsões de imprevisibilidades, de
maneira a minimizar riscos e garantir o equilíbrio contratual entre as partes.
3.
Crise das PPPs no Setor de Saúde:
3.1
Estudo do caso português:
Em
Portugal, a principal rede de prestação de cuidados de saúde é o setor público,
o Serviço Nacional de Saúde, criado em 1979, que tem como missão garantir a
universalidade, equidade e acesso gratuito ou a custo reduzido aos cuidados de
saúde para toda a população. Em 2002 foi aprovado o regime jurídico das “parcerias
em saúde com gestão e financiamentos privados”[5],
desenvolvido seguindo a Lei de Bases de Saúde[6],
juntamente com os princípios que estas parcerias devem respeitar, no seu
art.3º.
As
PPPs então foram concebidas em Portugal no início dos anos 2000 como uma
abordagem inovadora para modernizar e otimizar o Serviço Nacional de Saúde
(SNS), o processo arrancou em 2001, com a primeira vaga de unidade de saúde
anunciada em Julho pelo Ministro da Saúde, contemplando os hospitais de
Cascais, Braga, Vila Franca de Xira, como hospitais de substituição e Loures e
Sintas, na construção de novos hospitais. Em final de 2002 é enunciada ainda
uma segunda vaga de unidades hospitalares, constituída pelos Hospitais de
Évora, Vila Nova de Gaia, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Algarve e Guarda.
O
Programa do XVII Governo Constitucional para a legislatura 2005-2009 prevê
rever o modelo das parcerias público-privadas (PPP), sem prejuízo de
compromisso contratual assegurando a transparência e o interesse público nos
processos já em curso. Em 2005, o Ministro da Saúde anuncia então o início dos
processos para a construção de quatro hospitais: Loures, Cascais, Braga e Vila
Franca de Xira, e defende que a decisão relativa à construção de dez hospitais,
suportada por Luís Filipe Pereira, foi tomada sem estudo de sustentação
conhecido. Entre 2005 e 2006, a Estrutura de Missão Parcerias Saúde gasta 10.2
milhões de euros, sendo 8,4 em estudos.
Em
2009, o relatório de auditoria[7] do Tribunal de Contas
crítica os processos de constituição de PPP em curso na área da saúde. Os
atrasos foram um problema crítico com os cronogramas de concursos, negociações
e construção sendo sistematicamente ultrapassados gerando custos adicionais e adiando
os benefícios esperados. A complexidade do modelo que combinava gestão de
serviços clínicos com construção e manutenção de infraestruturas revelou-se um
desafio para a capacidade administrativa do Estado. Em termos financeiros o
Tribunal de Contas apontou que os custos efetivos dos contratos frequentemente
superaram as estimativas iniciais comprometendo a relação custo-benefício. Além
disso a transferência de riscos para os operadores privados não foi plenamente
alcançada o que sobrecarregou o Estado com ônus inesperados. Houve também
falhas no planejamento e na supervisão dos contratos sem uma estratégia robusta
para assegurar a sustentabilidade a longo prazo e com mecanismos insuficientes
para avaliar e corrigir problemas ao longo do tempo. Outro fator importante foi
a instabilidade política e administrativa com mudanças de governos que
enfraqueceram o apoio institucional às PPPs e resultaram na estagnação do
modelo.
Podemos
verificar aqui que logo desde a sua criação e planeamento, e num curto espaço
de tempo do processo, se verificam os problemas relacionados às PPPs
mencionados no capítulo anterior. As únicas PPPs que sobreviveram como vimos
foram os 4 hospitais, e não só temos os problemas contratuais destas parcerias,
ao verificarmos a última década, e o estado em que se encontram elucidam-nos
sobre a qualidade prometida. Podemos contrapor o relatório de auditoria de 2009
anteriormente enunciado com o relatório de auditoria[8], também do Tribunal de
Contas, de 2021, para verificar o estado destas parcerias num contexto atual.
No primeiro semestre de 2018, as PPPs representaram um encargo para o Estado de
cerca de 250 milhões de euros, um aumento de 15% em relação ao primeiro semestre
do ano anterior. Passo à análise dos 4 hospitais:
O
Hospital de Braga, ao longo do contrato, enfrentou grandes dificuldades
financeiras, com produções não remuneradas e diversos litígios com o Estado,
apesar de um bom desempenho operacional, a falta de acordo levou á sua
transição da gestão de volta para o modelo público em 1 de setembro de 2019,
integrado no SNS. O Hospital de Loures apresentou resultados mistos ao longo do
seu contrato, com algumas melhorias observadas, mas também problemas e
resultados aquém do esperado em algumas áreas, o seu contrato foi encerrado em
31 de maio de 2022, agora sob um modelo de gestão pública direta. O Hospital de
Vila Franca de Xira é o caso mais interessante para este tema, com muita pena,
pelo seu extremo fracasso, gerido pelo Grupo Mello Saúde, a sua operação apresentou
desempenho misto e problemas relacionados na falha de definição de objetivos,
além disso, durante quase quatro anos, este internou centenas de utentes nos
refeitórios e ainda casos de doentes internados em casa de banho e corredores,
e não sendo suficiente, a visita a esta unidade revelou que o teto dos
refeitórios encontrava-se perfurado, comprometendo a higienização, e que não
têm instalações sanitárias privativas, estes fatores todos levaram ao
repensamento da renovação da parceria com o Grupo Mello Saúde, que terminava em
31 de maio de 2021, e com a escolha sã do Governo, no dia 1 de junho de 31 de
2021, agora integrado no SNS. O Hospital de Cascais é a única parceria
sobrevivente até hoje, apesar de avaliações positivas e resultados eficientes, teve
limitações na negociação de produções contratadas, o que gerou um acordo de
extensão contingencial de até três anos enquanto se prepara um novo modelo de
PPP. O contrato original foi renovado temporariamente em 2020, mantendo-se sob
gestão privada até que novos procedimentos sejam concluídos, mas no momento de
escrita deste trabalho, prevê-se que seja renovado.
4.
Conclusão:
As
Parcerias Público-Privadas, são então solução estratégica para enfrentar as
limitações financeiras do setor público, aliando a expertise do setor privado à
prestação de serviços essenciais, como saúde. No entanto, conforme explorado no
ponto 2, embora apresentem vantagens claras, como eficiência financeira,
inovação e alívio orçamental, as PPPs estão sujeitas a limitações
significativas, incluindo riscos contratuais, renegociações frequentes e a
possibilidade de conflitos entre interesses públicos e privados.
O
estudo de caso português, analisado no ponto 3, ilustra bem essas contradições.
Apesar do potencial inicial, os hospitais em Braga, Loures e Vila Franca de
Xira enfrentaram desafios financeiros e operacionais que levaram ao término das
parcerias e à reintegração dessas unidades ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Apenas o hospital de Cascais mantém o modelo, mas com limitações. As
dificuldades derivaram de contratos mal estruturados, instabilidade política e
insuficiente transferência de riscos para o setor privado, comprometendo a
sustentabilidade das parcerias.
Portanto,
as PPPs, embora promissoras, exigem um equilíbrio cuidadoso entre planejamento
estratégico, supervisão eficiente e alinhamento com o interesse público. A
experiência portuguesa destaca a importância de contratos robustos, previsões
de riscos e capacidade administrativa para evitar que as limitações do modelo
superem seus benefícios, especialmente em setores críticos como a saúde.
Bibliografia:
Joaquim Miranda Sarmento,
“Anatomia das Parcerias Público Privadas: A sua criação, financiamento e
renegociações”, in Revista Julgar Online, 2017, pp.1-57, disponível para
consulta em:
https://julgar.pt/wp-content/uploads/2017/09/20171002-Artigo-JULGAR-Anatomia-das-PPP-J-M-Sarmento-e-Luc-Renneboog.pdf
Tribunal de Contas,
“Auditoria ao Programa de Parcerias Público Privadas da Saúde: Primeira vaga de
Hospitais”, in Tribunal de Contas, 2009, pp.5-16, disponível em:
https://www.tcontas.pt/ptpt/ProdutosTC/Relatorios/RelatoriosAuditoria/Documents/2009/rel015-2009-2s.pdf
Tribunal de Contas,
“Relatório Síntese Parcerias Público-Privadas hospitalares no SNS”, in Tribunal
de Contas, 2021, pp.6-37, disponível em:
https://www.tcontas.pt/pt-pt/ProdutosTC/Relatorios/relatorios-oac/Documents/2021/relatorio-oac005-2021.pdf
Jorge Abreu Simões,
“As parcerias público-privadas no sector da saúde em Portugal” in Revista
Portuguesa de Saúde Pública, Volume temático, Nº 4 (2004), pp. 79-90
João Naylor Villas-Bôas Agra,
“Contrato Incompleto: A Eficiência Entre a Vontade e o Oportunismo das Partes”,
in Revista Jurídica luso-brasileira, ano 6, nº4 (2020), pp.1545-1580
Fausto Paulo de Melo Bessa Gomes, “Apresentação
das parcerias público privadas. O caso português no sector da saúde”,
disponível em: https://igf.gov.pt/inftecnica/75_anos_IGF/fausto/fausto_tema.htm
[1] 17, OECD iLibrary, https://www.oecd-ilibrary.org/docserver/9789264046733-en.pdf?expires=1731988329&id=id&accname=guest&checksum=531861BA2D0D4570A568D7B8E3417D9C
[2] Michael B. Gerrard, Internacional
Monetary Fund (set 2001), https://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2001/09/gerrard.htm.
[3] Joaquim
Miranda Sarmento & Luc Renneboog, anatomia das Parcerias Público
Privadas: a sua criação, financiamento e renegociações, 2017 Julgar,
pág.23
[4] Corresponde
ao instrumento que garante às partes uma “estrutura de governo” ativa e
funcional, endógena e exógena, auto e heterodisciplinadora, que ofereça
soluções mais eficientes do que as possíveis no completamento contratual
[5] Decreto-Lei n.º 185/2002, de 20 de
agosto, define o regime jurídico das parcerias em saúde com gestão e
financiamentos privados
[6] Lei n.º
48/90, de 24 de Agosto, Lei de Bases de Saúde, revogada pela Lei n.º
95/2019, de 4 de setembro, que aprova a nova Lei de Bases de Saúde
[7] Relatório
n.º 15/2009 AUDIT, provindo do Tribunal de Contas, com o objetivo de identificar
e caracterizar os fatos que deram origem aos atrasos nos processos de
contratação das PPP
[8] Relatório
n.º 5/2021 – OAC, provindo do Tribunal de Contas, sintetiza as principais
conclusões de e 4 relatórios de auditorias, entre 2014 e 2019 relativos às PPP
dos hospitais com foco na vertente da gestão dos 4 estabelecimentos hospitalares
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